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Custos, Perdas, Despesas e Investimentos

11/06/2012

Temos recebido diversas solicitações  de nossos consulentes para responder a alguns questionamentos surgidos após a  aplicação do Exame de Suficiência em 25 de março pp. Tais dúvidas, em sua  maioria, se originam na questão de nº 23 do referido Exame aplicado pelo  Conselho Federal de Contabilidade, na qual, após ser apresentada uma relação de  contas, é solicitado aos técnicos em Contabilidade que informem o total dos  investimentos, dos custos, das despesas e das perdas.

Em razão dessa questão, fomos instados  a responder se o “seguro da fábrica” é um custo de produção; qual a diferença  entre “perdas” e “despesas”; e se “compra de matérias-primas” é “investimentos”. Isso porque se considerou, na resposta da questão aplicada pelo CFC, o “seguro  da fábrica” como sendo um “custo”; que “perdas” não estão contidas no grupo de “despesas”, e que “compra de matérias-primas” é “investimentos”. 

Vamos responder essas questões, por  partes. 

Primeiramente, quanto ao  questionamento sobre o “seguro de fábrica” ser um “custo de produção”, vejamos o  que diz a teoria contábil a respeito: 

Segundo a teoria contábil, “custo de  produção” são os gastos necessários para se produzir um bem. Então, para  sabermos se um gasto é considerado “custo” ou “despesa”, basta que façamos  seguinte questionamento: “Precisamos desse gasto para produzir o bem?” Se a  nossa resposta for afirmativa, estaremos diante de um “custo”. Caso contrário,  diante de uma “despesa”. 

Vejamos as seguintes questões: “Precisamos da mão de obra da fábrica para produzir o bem?” “Em caso de não  possuirmos um local próprio para a produção, precisamos pagar o aluguel de um  local para construirmos o bem?” Como nessas duas situações precisamos realizar  esses gastos para produzir o bem, estamos diante de “custos”. 

Agora, outra questão: “Precisamos de  propaganda para produzir o bem?” Nesse caso, a resposta é “não”. Então, estamos  diante de uma “despesa”. 

Voltando à questão de nº 23 do  referido Exame: “Precisamos do seguro da fábrica para produzir o bem?” Vejamos:  Possuímos duas indústrias, ambas exatamente iguais. Uma fez o seguro de sua  fábrica; a outra, não. O que se modificou com isso no processo de  industrialização das duas fábricas? Quem não fez o seguro deixou de produzir, ou  produziu com menos qualidade? É evidente que não. Portanto, o seguro da fábrica  não é um “custo de produção”, e, sim, uma “despesa”. 

Para não deixar qualquer dúvida sobre  esse assunto, o legislador, através do art. 13, § 1º, do Decreto-Lei nº 1.598 de  1977 e do art. 290 do RIR, normatizou quais os gastos que são considerados “custo de produção”, e o seguro da fábrica não está nessa  relação. 

Quanto aos questionamentos sobre a  diferença entre “perdas” e “despesas” e sobre compra de matérias-primas ser “investimentos”, temos a tecer as seguintes considerações: 

As “despesas” formam um conjunto de  contas que fazem parte da Demonstração Econômica. Esse grupo é formado por  contas que não possuem liquidez, ou seja, contas que não são objeto de troca;  contas que não há interesse de terceiros em possuí-las; que não podem ser  transformadas em dinheiro, trocadas, revendidas; que não geram fluxo de caixa  futuro. 

As “perdas” são geradas quando um  ativo é subtraído, roubado, perdido, ou, ainda, quando deixa de possuir liquidez  e passa a não ter valor no mercado. Assim, todas as “perdas” estão contidas nas “despesas”, sem formar grupos independentes. Essas (“perdas”) estão  contidas naquelas (“despesas”). 

Já o termo “investimentos”, para a  Contabilidade, possui um conceito próprio, diferente do conceito que possui em  Economia ou em Finanças. Enquanto em Economia ou Finanças, “investir” é aplicar  recursos em “coisas” que possuem liquidez (ativo), em Contabilidade, “investimentos” são aplicações de recursos em “coisas” com a finalidade de  especular, de obter resultado, lucro, no futuro. 

Por isso, adquirir matérias-primas,  para a Contabilidade, é aplicar recursos em “direitos realizáveis”, e não em “investimentos”; e “direitos realizáveis” e “investimentos” fazem parte do grupo  de ativos. 

A boa técnica nos diz que os  questionamentos inseridos na pergunta de nº 23 do Exame de Suficiência não  teriam resposta compatível. 

Fonte: Salézio Dagostin


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