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Enem vai mudar vestibular das maiores universidades do País em 2013

26/03/2013

Alheias às polêmicas que envolvem o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), as universidades brasileiras estão cada vez mais próximas de cumprir com a meta do Ministério da Educação (MEC) de acabar com os tradicionais vestibulares.

Na semana passada, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), um gigante com cerca de 50 mil alunos, anunciou o fim do vestibular para aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Enem para selecionar os estudantes. A instituição seguiu o exemplo da Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal Fluminense (UFF), Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e praticamente 100 outras universidades públicas de todo o País que passaram a usar o Sisu. Na lista das dez maiores instituições federais – com base no último Censo da Educação Superior – a Federal da Bahia (UFBA), Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Federal do Pará (UFPA) e Federal de Pernambuco (UFPE) confirmam que a discussão sobre a adoção integral ao Enem será levada a discussão nos conselhos universitários ainda este ano, com a possibilidade de mudanças para a próxima seleção de novos alunos.

Tendência é acabar com o vestibular em pouco tempo

Última universidade federal a aderir à seleção por meio do Enem, a UFMG precisou enfrentar resistências de escolas, estudantes e professores, mas conseguiu aprovar o fim do vestibular em uma votação no conselho universitário que contou com 40 votos favoráveis e apenas dois contrários. Reitor da universidade, Clélio Campolina diz que essa é uma tendência que deve se confirmar em todas as instituições federais em um curto período de tempo. "Conversei com reitores de várias universidades que já usam o Enem, a UFRJ, a Unifesp, a UFSCar, e também com reitores que têm suas seleções próprias. A UFRGS, a UFBA, a UFPA estão discutindo isso. Então eu não vi nenhum reitor reclamando, querendo sair, mas vários querendo entrar", disse Campolina.

Segundo o ex-presidente do Inep e professor da Universidade de São Paulo (USP) Reynaldo Fernandes, para muitas universidades é até um "alívio" abrir mão do peso de elaborar um vestibular próprio. Para ele, a maior resistência ao Enem não está nas mudanças em sua estrutura interna, e sim na confiança na prova nacional. "Acho que a adoção do Enem é uma tendência, o exame está se estabilizando, ganhando confiança, mas é evidente que é uma prova muito grande que gera problemas", diz ao citar as falhas na logística nas edições de 2010 e 2011, como o furto de cadernos e vazamento de questões do pré-teste.

O especialista, que foi um dos idealizadores do Enem, aponta que um dos principais benefícios do Enem – e que precisa ser mais discutido – é a mudança no ensino médio, abordando conteúdos de forma interdisciplinar e sem as "decorebas" do vestibular, opinião compartilhada pelo pró-reitor da UFBA. "Hoje a UFBA define como vai ser o ensino médio nas escolas da Bahia. Em cada Estado ocorre a mesma coisa. Mas se tivermos uma sinalização conjunta do que deve ser ensinado no ensino médio, como propõe o Enem, daremos um passo à frente para melhorar a educação no Brasil", afirma Ricardo Miranda.

As polêmicas que permeiam Enem desde que ele se tornou um exame nacional, observa o professor da USP, impedem que se discuta o conteúdo cobrado. "Quem ditava o ensino médio no Brasil era o vestibular, e o Enem surge para mudar isso. Só que são tantas polêmicas, muitas delas tratadas de forma exagerada (pela mídia), que até hoje só vi se discutir a logística do exame, ninguém até hoje propôs um diálogo sobre a função da prova", critica.

Por: João Leones

Fonte: terra.com


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